sábado, 7 de novembro de 2009

Carta de uma mãe portuguesa a seu filho.

Escrevo-te estas linhas para que saibas que estou viva. Escrevo devagar porque sei que não podes ler depressa. Bem, não reconhecerás a casa quando a vires, pois nos mudamos. Finalmente enterramos teu avô. Encontramos seu cadáver quando estávamos a nos mudar. Estava no armário desde aquele dia que ele venceu-nos no jogo de esconde-esconde. Hoje tua irmã Joana teve um bébé, mas como ainda não sei se é gajo ou gaja não te posso dizer se és tio ou tia. Não temos mais visto teu tio António, que morreu ano passado. Que posso dizer-te? Ah! que teu primo Jacinto sempre acreditou que era mais rápido que os touros, mas ficou provado que não. Saibas que estou preocupada com teu cão Bóbi que agora resolveu perseguir carros estacionados. Cada vez está mais cego. Ah! Finalmente as engarrafadoras de bebidas agora imprimem nas tampinhas: "Abrir por aqui".
Desculpa-me por minha letra ruim e pelos erros de ortografia, mas cansei-me de escrever e agora estou a ditar a teu pai e já sabes que é meio burro. Teu irmão Manuel fechou o carro com o pino e esqueceu-se das chaves dentro. Teve que ir até a casa para fazer uma cópia para poder tirar-nos do carrro. Outro dia fomos a um centro comercial e demoramos umas três horas para sair, pois quando estávamos na escada rolante, a luz acabou. Mando-te esta carta por teu irmão Joaquim que amanhã vai aí a visitar-te. Bem filho, não ponho o endereço porque não o sei, é que a última família portuguesa que cá viveu levou os números para não ter que mudar de endereço. Olha se vês Dona Remédios, dá-lhe meus cumprimentos, e se não a veres, não digas nada.

Tua mãe te ama muito: Eu.

Obs.: Mandar-te-ia 100 escudos portugueses mas já fechei o envelope.

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