terça-feira, 17 de novembro de 2009

Dicionário "Caipiracicabano" 3

Abri as perna - Expressão com dois significados. Um óbvio, de ordem amorosa. Marido amoroso, gentil, pede antes de fazer: “Benhe, hoje ocê qué abri as perna pra mi?” Ou ela concorda ou taca um pedovido no ouvido dele. O outro sentido é o de ceder, conceder. Negadinha do PT falava de Fernando Henrique: “O disgranhento abriu as perna pro capitar estrangero.”


Abri o balaio - Essa situação é especial. Refere-se a viúva que, vencido o tempo de luto, começa a se divertir. Tem um clube de saudosistas em Piracicaba, só de gente veia e desparceirada, todo mundo vai lá e fica de butuca esperando viúva com prazo de luto vencido. Quando vê, um cutuca o outro: “Óia lá, ta veno, a viúva loira? Ela já tá abrino o balaio.” Depois de abri o balaio, não fecha mais.

Abrigo - Piracicaba não tem estações ou terminais rodoviários ou ferroviários. Tais lugares públicos são apenas e genericamente conhecidos como abrigos. Tem-se, assim, abrigo do ônibus, como se tinha abrigo do bonde. Nego, por exemplo, quando quer se encontrar às escondidas com a muié amada, vai logo falando: “A gente sai escondidinho e se encontra lá no abrigo do ônibus.” A muié já sabe que o local do encontro é no terminal de ônibus. Fica fácil.

Absurdada - Diante de acontecimentos ou fatos tidos como absurdos ou apenas surpreendentes, as pessoas não se espantam e nem se assustam. Piracicabano fica absurdado. Antigamente, quando havia escândalo de político, corrupção, jornais piracicabanos protestavam, em manchete: “Povo tá absurdado cos político.” Agora, todo mundo já se acostumemo.

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