sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Dicionário Caipiracicabano 9

Ara - É o mesmo que ora, conjunção. As pessoas usam o ara – ainda que no lugar de ora – especialmente quando estão aborrecidas. Marido, quando a muié insiste para ele voltar cedo para casa, responde: “Ara, vê se num me enche o saco.” Torna-se expressão de completo aborrecimento quando é usada concomitantemente com caraio. “Ara, caraio! Num me encha o saco!” – esse é o máximo dos protestos.


Ara, vá saino! - Expressão de dúvida, também de perplexidade, misturada com surpresa e aborrecimento. Quando o Presidente Itamar Franco substituiu a moeda, piracicabano falava, um para o outro: “Ara, vá saino! O tar do rear é o memo que o merréis.”

Araque sanfona - A palavra araque tudo mundo sabe o que é, a mentirinha. Mas araque sanfona, essa é mentira piracicabana. Não se sabe a sua origem. Mas é usadíssima. Marido, se a muié dele descobre algum enrosco, jura por Deus que tudo não passou de araque sanfona. Mas quem passou o araque sanfona, pode-se ter certeza, foi ele, na muié mãe de seus filhos.

Arcaide - Substantivo. Pode designar, indiferentemente, tanto a autoridade, o alcaide (antiga denominação de autoridade pública, prefeito), como o arcaico, com sentido de antigo. Prefeito de Piracicaba, quando passa pela rua, tem que estar preparado. Assim que é visto, a negadinha fala: “Óia lá, o arcaide. Vamo pedi emprego pra ele.” Por outro lado, num baile, por exemplo, se tem nega com roupa fora de moda, haverá sempre quem diga: “Óia lá, o vistido dela, como ela tá arcaide.” A confusão se dá quando se diz que o “arcaide é arcaide”. Deve-se entender, no caso, que o prefeito é ultrapassado.

Arco - Pronúncia caipiracicabana do substantivo álcool. Assim, não se deve estabelecer confusões: arco é álcool. O outro arco, segmento de curva, peça curva, é conhecido como meia-rodinha. Um antigo e famoso médico piracicabano, dr. Samuel de Castro Neves, costumava perguntar a seus pacientes: “Ocê num tá abusando muito do arco?” O nego respondia: “Num tô, dr.Samuer. Só bebo arco quando farta pinga.”

Arco da véia - Essa o mundo todo conhece, a coisa velha, coisa difícil de se acreditar. Quando aluno fica enchendo o saco do professor de História, este responde: “Se ocê quisé sabê coisa do arco da veia vá lá co prof.Haldumont, o Tiquinho, no Istituto Istórico, que ele conta tudo procê.”

Arfinetá - Provocar, cutucar. Marido piracicabano morre de medo, saindo com a esposa, que ela faça provocações que o embaracem. Por isso, avisa, antes de saírem: “Tudo bão, nói tá ino passeá. Mai se ocê arfinetá eu no meio da cunversa, juro bradeu que taco a mão na morfiosa de sua cara.”

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